Hipertensão e rins: a relação silenciosa que pode evoluir para doença renal crônica

Nefrologista Andrea Pio de Abreu explica como a pressão alta pode comprometer a função renal e alerta para a importância…
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Nefrologista Andrea Pio de Abreu explica como a pressão alta pode comprometer a função renal e alerta para a importância de exames simples no diagnóstico precoce

A hipertensão arterial e a doença renal crônica formam uma relação direta e, muitas vezes, silenciosa. A pressão alta não controlada pode lesar progressivamente os vasos dos rins; ao mesmo tempo, quando os rins já estão comprometidos, o controle da pressão arterial tende a se tornar mais difícil.

A nefrologista e hipertensóloga Andrea Pio, doutora pela Universidade de São Paulo (USP), atuante no Hospital das Clínicas da FMUSP, professora do Centro Universitario São Camilo e responsável por uma rede social educativa com foco em hipertensão arterial, explica que essa conexão é bidirecional: uma condição pode causar, agravar ou acelerar a outra.

“Os rins são órgãos altamente vascularizados e sensíveis. Quando a pressão arterial permanece elevada por muito tempo, ocorre uma agressão contínua aos pequenos vasos responsáveis pela filtração do sangue. Além disso, a hipertensão pode provocar alterações nos glomérulos, estruturas fundamentais para o processo de filtração renal, e favorecer outros danos progressivos ao tecido dos rins. Com o passar dos anos, esse conjunto de lesões pode levar à perda gradual da função renal”, afirma a especialista.

Como a hipertensão afeta os rins

Os rins filtram o sangue, eliminam toxinas, regulam líquidos, sais e participam de mecanismos hormonais ligados ao controle da pressão. Quando a pressão arterial fica elevada de forma persistente, os vasos renais e as estruturas responsáveis pela filtração sofrem lesões que reduzem gradualmente a capacidade dos rins de desempenhar suas funções.

“Na prática, vemos uma lesão que se acumula ao longo do tempo. O grande problema é que, nas fases iniciais, a doença renal crônica pode não provocar sintomas. Por isso, o paciente muitas vezes só descobre a alteração quando já existe perda importante da função dos rins”, explica Andrea Pio.

Quando o rim doente piora a pressão

A relação também acontece no sentido contrário. Quando os rins deixam de funcionar adequadamente, o organismo pode ter mais dificuldade para eliminar excesso de líquidos e regular substâncias que interferem diretamente na pressão arterial.

“A hipertensão agride os rins e, quando o rim adoece, ele dificulta ainda mais o controle da pressão. Isso cria um ciclo de risco que precisa ser interrompido com diagnóstico precoce, tratamento adequado e acompanhamento regular”, afirma a nefrologista.

Sinais de alerta e exames importantes

Segundo a médica, o principal alerta é não esperar o aparecimento de sintomas para investigar a saúde renal, especialmente em pessoas com hipertensão, diabetes, histórico familiar de doença renal, obesidade ou doença cardiovascular já estabelecida.

Em fases mais avançadas, alterações como inchaço nas pernas, cansaço persistente, mudanças no volume ou aspecto da urina, falta de ar, náuseas e perda de apetite podem aparecer. No entanto, a ausência desses sinais não descarta comprometimento renal.

“Exames simples, como creatinina no sangue, cálculo da taxa de filtração glomerular estimada e avaliação de proteína ou albumina na urina, ajudam a identificar alterações precocemente. Quanto antes o problema é detectado, maiores são as chances de proteger a função renal”, orienta Andrea Pio.

Quando procurar um nefrologista

A avaliação por um nefrologista é indicada em casos de hipertensão de difícil controle, creatinina elevada, queda da taxa de filtração glomerular, presença de proteína ou sangue na urina, diabetes associado à hipertensão ou histórico familiar de doença renal.

“As doenças renais são silenciosas e, por isso, perigosas. Pacientes hipertensos e diabéticos devem ser acompanhados de perto, porque o diagnóstico precoce pode mudar a evolução da doença e reduzir o risco de complicações graves. Além disso, se uma pessoa usa varias classes de anti-hipertensivos, com difícil controle da pressão, também precisa de uma avaliação nefrológica ”, conclui a médica.

(Fotos: Imagem criada por IA)

Contexto Diário

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