A cantora vem ao brasil no final de maio para se apresentar no Rio e em São Paulo
Ouça The Afterparty aqui.
Lykke Li revela The Afterparty, seu sexto e novo álbum, uma odisseia impressionante de 24 minutos que vai do crepúsculo ao amanhecer e destila o caos da experiência humana em algo eufórico e confrontador. Escrito em Los Angeles e gravado em Estocolmo com uma sessão de 17 cordas, diversos bateristas e um coro completo de vozes, é o seu trabalho mais expansivo até aqui em termos sonoros – com brilho de disco, luz gospel e um espírito balear –, enquanto mergulha nas letras em temas como vergonha, vingança, mortalidade e o vazio. “Este é um álbum que lida com o seu eu inferior”, explica Li. “Sua necessidade de vingança, sua vergonha, seu desespero… uma jornada pela noite, na esperança de encontrar a aurora – a aurora de si mesmo.”
Ao longo de uma carreira que redefiniu de forma sutil mas definitiva a linguagem emocional do pop moderno, desde o seu aclamado álbum de estreia Youth Novels até o sucesso global e definidor de uma geração de “I Follow Rivers” e a crueza intimista de Wounded Rhymes, I Never Learn, So Sad So Sexy e EYEEYE, Lykke Li construiu uma reputação como uma mestre em navegar pelo espaço onde amor, perda e saudade colidem. Com The Afterparty, ela avança para além da desilusão amorosa rumo a algo mais existencial, trocando a fantasia romântica pelo que chama de “Ram Dass para fuckboys”: um acerto de contas espiritual filtrado pelo ego e pelo caos.
O álbum se desenrola como uma única cena contínua, a afterparty em si. São 4 da manhã. A música ainda toca. Os corpos ainda se movem. Mas, abaixo da superfície, algo está se transformando. Os momentos iniciais soam cinematográficos e expansivos, apresentando um mundo suspenso entre a vida e a morte, onde refrões crescentes colidem com a percussão. A partir daí, Li se move com fluidez entre extremos emocionais. Canções que cintilam com harmonias sobrepostas dignas do ABBA subitamente irrompem em uma fúria crua e sem filtro, uma raiva lançada ao vazio apenas para retornar em ecos, em ciclos de destruição e renascimento. Em outros momentos, cordas disco em cascata e arranjos maximalistas implacáveis criam uma sensação de impulso e elevação, de sobrevivência enquanto espetáculo, antes de colapsarem novamente para dentro, rumo a instantes de pura intimidade: uma única voz e um piano ligeiramente desafinado.
Visual e conceitualmente, The Afterparty marca um novo capítulo para Li. Na capa do álbum, ela surge como uma figura distorcida à la Cindy Sherman – o rosto deformado, a identidade instável, seu papel em algum lugar entre a artista e a bufona. É uma rejeição deliberada da perfeição, um abraço do grotesco e do constrangedor como caminhos para a verdade. “Especialmente na música pop, ninguém fala sobre isso de verdade”, ela diz. “É repulsivo e vulnerável e constrangedor demais. Essa passagem do tempo. Ter tido algo e perdê-lo.” E, ainda assim, mesmo em seus momentos mais sombrios, o álbum pulsa com vida.
The Afterparty não é apenas um álbum sobre a noite. É sobre o que vem depois: a descida, o acerto de contas, a frágil e oscilante possibilidade de tornar-se algo novo.
No mês de maio, a cantora vem ao Brasil para realizar dois shows:
22/05 – Vivo Rio – Rio de Janeiro
24/05 – C6 Festival – São Paulo

(Foto: Chloé Le Drezen)
Tracklist:
Not Gon Cry
Happy Now
Lucky Again
Famous Last Words
Future Fear
So Happy I Could Die
Sick Of Love
Knife In The Heart
Euphoria