Nova cartilha do Inep alerta para o uso de referências decoradas e pouco relacionadas ao tema; coordenadora pedagógica do Colégio Marista São José – Tijuca explica o que muda na preparação dos estudantes
A redação do Enem ganhou um novo alerta para os estudantes que estão na reta final de preparação para a prova. Com a divulgação da Cartilha do Participante 2026, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) reforçou a importância de usar referências que tenham relação real com o tema discutido e chamou atenção para o chamado “repertório de bolso”, citações, conceitos ou referências memorizadas que acabam sendo encaixadas de forma genérica no texto. A estrutura da redação permanece a mesma: o estudante deverá produzir um texto dissertativo-argumentativo, de até 30 linhas, defendendo um ponto de vista a partir da proposta apresentada. A redação continua sendo avaliada em cinco competências, que somam até 1.000 pontos.
O que ganha destaque na nova orientação é a necessidade de que o repertório contribua de fato para a construção do argumento, e não apareça apenas para demonstrar conhecimento. Para Renata Bordallo, coordenadora do Colégio Marista São José – Tijuca, a mudança de olhar exige que o estudante deixe de pensar na redação como uma receita pronta. “O aluno precisa entender que não existe uma citação mágica que funciona para qualquer tema. O repertório só faz sentido quando ajuda a explicar aquilo que ele está defendendo. Mais do que decorar frases, é importante saber ler o tema, compreender o problema apresentado e construir uma relação verdadeira entre a referência e o argumento”, explica.
Na prática, isso significa que a preparação para o Enem passa ainda mais pela leitura e pela capacidade de relacionar diferentes conhecimentos. A própria cartilha orienta os participantes a selecionar referências pertinentes e explicar como elas contribuem para o desenvolvimento do argumento. O material ainda apresenta redações de participantes que tiveram bom desempenho no Enem 2025, acompanhadas de comentários pedagógicos.
Outro ponto reforçado pelo Inep é a proposta de intervenção. Não basta apenas apontar que determinado problema existe. O estudante precisa apresentar uma ação relacionada à questão discutida no texto, respeitando os direitos humanos. “Uma redação bem construída mostra que o estudante entende o problema e consegue desenvolver uma linha de raciocínio até a conclusão. A proposta de intervenção precisa nascer do que foi discutido ao longo do texto. Por isso, o aluno deve evitar soluções genéricas e pensar em quem pode agir, como essa ação pode acontecer e qual resultado pretende alcançar”, afirma Bordallo, coordenadora do Colégio Marista São José – Tijuca. Para os estudantes que estão nos últimos meses antes da prova, a recomendação é aproveitar a reta final para escrever, revisar e entender os próprios erros. Ler textos de diferentes gêneros, acompanhar assuntos atuais e praticar a construção de argumentos são caminhos que ajudam a ampliar o repertório sem depender de modelos decorados.
No Enem 2026, a redação será aplicada no primeiro dia de provas, em 8 de novembro, junto com Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e Ciências Humanas e suas Tecnologias. O segundo dia será realizado em 15 de novembro.
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