Prazo para entrega da declaração deve começar em 15 ou 16 de março. Para empresários que recebem pró-labore ou distribuem lucros, a organização de documentos precisa começar ainda em fevereiro — sob risco de erro fiscal e impacto financeiro
O calendário do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) de 2026 ainda não foi oficialmente divulgado pela Receita Federal, mas a estimativa do setor é que a entrega comece por volta de 15 ou 16 de março, com prazo final até o fim de maio, como nos últimos anos. A declaração será obrigatória para todos que tiveram rendimentos tributáveis superiores a R$ 33.888,00 ao longo do ano-base.
Para empresários que atuam como sócios de empresas, que recebem pró-labore, rendimentos de lucros e dividendos, ou realizam movimentações entre pessoa jurídica e física, a orientação de especialistas é clara: a organização começa agora, ainda em fevereiro.
O mês é considerado o ponto crítico da preparação porque é quando bancos, empresas e instituições devem entregar os informes de rendimentos, além de ser o momento ideal para organizar os dados contábeis que impactam diretamente a declaração do IR.
“O Imposto de Renda revela muito mais do que obrigações. Ele expõe a estrutura de como a empresa é gerida, o grau de organização entre o CNPJ e o CPF do sócio e até o quanto o empresário está ou não pagando imposto a mais por falta de planejamento”, afirma Lucas Oliveira, sócio da LCS Contabilidade.
Um dos erros mais comuns entre empresários, segundo Oliveira, é não separar corretamente os fluxos financeiros entre pessoa jurídica e pessoa física. Utilizar recursos da empresa para cobrir despesas pessoais, por exemplo, pode gerar inconsistência na declaração, elevar o risco de cair na malha fina ou até configurar distribuição disfarçada de lucros — o que abre margem para questionamento fiscal.
Outro ponto crítico está na estrutura do pró-labore. Empresários que definem esse valor de forma aleatória ou sem base técnica podem pagar mais INSS do que o necessário, ou comprometer a coerência entre o rendimento declarado e o padrão de vida apresentado. “A Receita cruza informações de várias fontes: despesas, cartão, aquisição de bens, movimentações bancárias, rendimento declarado, e agora cada vez mais dados de empresas com regime Simples ou Lucro Presumido. A lógica da fiscalização é o cruzamento digital, não mais auditoria física”, diz Oliveira.
Para empresas com mais de um sócio ou estrutura societária mais robusta, a atenção precisa ser redobrada. Distribuições de lucros, decisões sobre reinvestimento ou antecipação de dividendos, e organização de retirada mensal devem ser acompanhadas por um contador com visão estratégica, não apenas operacional.
Além disso, com a reforma tributária em andamento, 2026 será o primeiro ano em que muitas empresas terão que lidar com o início da transição entre modelos de tributação. Embora a declaração do IRPF ainda siga o modelo atual, a recomendação é antecipar cenários e usar a entrega do IR como uma oportunidade para revisar a estrutura fiscal da empresa.
“A declaração do Imposto de Renda pode parecer só um documento, mas ela abre uma janela sobre toda a gestão da empresa. Um erro contábil que passa despercebido no dia a dia aparece ali com clareza — e com impacto real no bolso”, completa Lucas Oliveira.
O prazo final para entrega da DIRPF 2026 ainda não foi confirmado, mas a previsão é que a Receita mantenha o encerramento até 31 de maio. Quem atrasa, além de multa mínima de R$ 165,74, fica sujeito a juros sobre o imposto devido, e pode ter a restituição bloqueada.
Lucas orienta que a declaração seja feita com antecedência — especialmente por quem tem rendimentos como pró-labore, lucros e dividendos, aluguéis ou aplicações financeiras. Quanto maior a complexidade, maior o risco de inconsistência.