Drenna lança “Guerra”, single potente sobre violência estrutural e resistência

Faixa chega pela Marã Música a todos os aplicativos de música e ganha videoclipe que amplia a força narrativa da…
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Faixa chega pela Marã Música a todos os aplicativos de música e ganha videoclipe que amplia a força narrativa da canção

Com raízes no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, a Drenna surgiu em 2015 como uma das principais representantes do rock carioca contemporâneo

Ouça o single

 

A banda Drenna apresenta nesta sexta-feira (1º de maio) o single “Guerra”, disponível em todas as plataformas digitais pela Marã Música. Mais do que um lançamento, a faixa se posiciona como um retrato direto e incômodo de uma realidade brasileira marcada pela violência cotidiana e pela naturalização de tragédias.

Inspirada em um caso real (a morte de uma criança durante uma operação policial no Complexo do Alemão), “Guerra” nasce de um lugar profundo e urgente. A partir dessa história, a música amplia o olhar para um cenário mais amplo, onde a violência deixa de ser exceção e passa a ser rotina.

A letra constrói um contraste constante entre a dor real e o discurso de normalidade. “De forma geral, a música fala sobre uma violência que virou rotina, uma espécie de guerra não declarada que acontece todos os dias, mas que muitas vezes é negada ou invisibilizada”, explica a banda. “De um lado, a dor real, o luto, o grito de um pai; do outro, o discurso de que ‘está tudo em paz’.”

Mais do que relatar um episódio específico, a faixa questiona a forma como a sociedade lida com essas perdas. “Ela questiona como vidas inocentes continuam sendo perdidas enquanto a sociedade se acostuma, transforma isso em notícia passageira ou até em espetáculo”, completam os integrantes, reforçando o tom de denúncia e inconformismo presente na composição.

Na sonoridade, “Guerra” traduz em música o peso de sua mensagem. Com guitarras densas e distorcidas, a faixa constrói uma atmosfera tensa e urgente. “A ideia desde o início foi não suavizar nada, mas fazer com que o instrumental carregasse o mesmo impacto emocional da história que inspirou a música”, afirmam. A produção, assinada em parceria com Jorge Guerreiro, busca equilibrar intensidade e clareza, criando uma experiência sonora que envolve e provoca.

A composição surgiu de forma visceral, como um desabafo. “A imagem de um pai gritando pelo filho foi uma das primeiras coisas que veio, e a partir daí a letra foi se construindo de forma bem natural”, revelam. “Era mais sobre colocar pra fora o incômodo, a revolta e a sensação de impotência.”

Esse mesmo incômodo guia o propósito do lançamento. “Com ‘Guerra’, a gente quer tirar as pessoas da zona de conforto. Não é uma música pra passar batido, é pra incomodar mesmo”, destacam. “Não é só sobre denunciar. É sobre não aceitar o silêncio, não se calar e não fingir que está tudo bem.”

A capa do single reforça visualmente esse discurso. Inspirada em ícones religiosos, a imagem apresenta uma figura de aparência sagrada inserida em um cenário urbano e segurando um rifle, um contraste que simboliza o colapso da ideia de paz diante de uma realidade violenta. “Aquilo que normalmente representa paz, proteção e perdão agora aparece em estado de alerta”, explicam, destacando a proposta de expor uma “guerra” que muitos preferem ignorar.

O lançamento chega acompanhado de um videoclipe que expande a narrativa da música para o campo visual. Dirigido por Gabriel Gomes, o vídeo aposta em uma estética crua e simbólica, com um elenco formado por pessoas próximas à banda. “São rostos reais, inseridos em uma narrativa que mistura tensão, silêncio e confronto”, contam. “O resultado é um clipe denso, onde cada cena reforça a sensação de que essa ‘guerra’ não é distante, ela está presente.”

A expectativa para o lançamento é alta e carregada de responsabilidade. “‘Guerra’ não é uma música qualquer pra gente, ela carrega uma história muito forte”, dizem. “A gente está ansioso para colocar a faixa no mundo e ver como as pessoas vão reagir, principalmente por ser uma faixa que provoca e não passa despercebida.”

Com “Guerra”, a Drenna entrega uma obra que não busca conforto, mas confronto: uma música que transforma dor em expressão e silêncio em posicionamento.

 

CONFIRA A LETRA DE “GUERRA”:

 

Embaixo dessa chuva um pai

Grita por seu filho que não o escuta mais

Mais uma inocência que se vai

E corta as asas dessa nossa suposta paz

 

Vem dizer que já está tudo em paz

Que essa guerra não existe mais

Que essa história já ficou pra traz

 

Então mais uma procissão

Com palavras ditas em vão

O batuque no beco se cala

Abrindo espaço pra uma nova ala

Que desliza pela avenida

Caos em contrapartida

Rojão acima do chão

Espetáculo na televisão

 

Vem dizer que já está tudo em paz

Que essa guerra não existe mais

Que essa história já ficou pra traz

 

Não me censure agora

Não pode me controlar

Não sou parte do jogo

Então se faça fogo

 

Vem dizer que já está tudo em paz

Que essa guerra não existe mais

Que essa história já ficou pra traz

Vinícius Correia Ferreira

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