Especialista em marketing digital destaca tom mais maduro das cobranças e menor tolerância contra casos de violência que antes eram normalizados
O Big Brother Brasil 26 mal começou e já foi palco de um dos episódios mais graves de sua história, quando o participante Pedro Henrique Espíndola, de 22 anos, cometeu importunação sexual contra Jordana Morais, no último domingo. Ele deixou o programa cerca de uma hora após o ocorrido. Nas redes sociais, a situação ganhou tom de cobrança massiva, não apenas pelo ato cometido, mas pela forma como foi tratado pelo programa. Segundo levantamento feito pelo Centro de Estudos em Marketing Digital (CEMD) da FGV, a partir de dados do Brandwatch, revelam que as mais de 2 milhões de menções ao caso nas redes nos últimos dias, majoritariamente negativas, mostram que a plateia adotou um critérios ainda mais rigorosos para cobrar situações de violência, especialmente no recorte de gênero.
“A ideia de ‘passar pano’ para comportamentos que antes eram relativizados como ‘brincadeira’ ou ‘clima da festa’ está sendo cada vez mais repudiada de forma veemente no meio digital. E nesse caso, de forma mais profunda e objetiva, avaliou também a forma que o caso foi tratado internamente. O fato das mulheres responderem por 63% dos posts indica um protagonismo feminino na cobrança pública por consequências, em linha com a centralidade que ativistas digitais feministas ganharam na última década”, avalia Lilian Carvalho, PhD em Marketing e coordenadora do CEMD.
A pesquisadora destaca que o fato de Pedro deixar o programa por ter desistido e não ter sido expulso, sem grandes manifestações por parte da emissora, influenciou no tom mais maduro nas cobranças. “A mesma internet que amplifica linchamentos virtuais também consolidou novas normas de inaceitabilidade para violência de gênero, criando um ambiente em que marcas, emissoras e participantes sabem que qualquer gesto é imediatamente escrutinado. Portanto, a forma como a emissora responsável se posicionou, mesmo que nas entrelinhas, não passou despercebida e foi igualmente questionada”, ressalta.
No Brasil, hashtags e mobilizações online em torno de causas feministas já vinham usando plataformas como Instagram e X para transformar pautas antes restritas a nichos acadêmicos em debates de massa, inclusive sobre consentimento e assédio. Nesse sentido, para Lilian Carvalho, o BBB funciona como um “caso de teste” em rede nacional do padrão ético que a sociedade está disposta a tolerar. Segundo ela, “o veredito foi rápido e duro”.
(Crédito: Reprodução/TV Globo)